Arquivo Municipal de Novo Hamburgo

Novo Hamburgo para além do calçado: o trem e a cidade

Conhecida pelo título de Capital Nacional do Calçado, Novo Hamburgo teve seu
desenvolvimento catapultado pela instalação, em 1876, da linha ferroviária que possibilitou comunicação mais ágil com a capital gaúcha. A história do desenvolvimento da cidade está intimamente ligada com o trem. Inicialmente o trem chegava apenas até Novo Hamburgo (imagem 1), chegando até o principal núcleo de povoamento, Hamburgo Velho, só em 1903 (Imagem 2 e 3).

Em 1919, por conta do sentimento anti-germânico gerado pela recém encerrada Primeira Guerra Mundial, foi decretada a mudança do nome do então distrito de São Leopoldo: Novo Hamburgo passaria a ser conhecida por Borges de Medeiros (Imagem 4) e Hamburgo Velho deveria ser conhecida como Genuíno Sampaio. Por sorte, tal iniciativa foi abortada pelo próprio Antonio Augusto Borges de Medeiros, que declinou a homenagem que a Intendência de São Leopoldo lhe propusera com tal ato.

Em 1924, o próprio Borges esteve na vila de Novo Hamburgo para prestigiar a Exposição Agroindustrial, promovida para demonstrar a pujança econômica do distrito que lutava pela sua emancipação, que ocorreria somente três anos depois, em 5 de abril de 1927.

A recepção ao Presidente do Estado, como se nomeava à época o Governador, foi feita com pompa e circunstância, contando com banda de música e presença de autoridades locais (imagem 5). Novo Hamburgo foi atendida pela rede ferroviária até a década de 1960. Nestes anos de convivência, a ferrovia era uma das marcas da cidade, estando presente na memória dos cidadãos que vivenciaram este período. Da espera das encomendas na estação (imagem 6) à paisagem urbana, com os trilhos atravessando a cidade (imagens 7, 8 e 9), a antiga Novo Hamburgo carrega consigo a presença do trem.

Em 1966, “por imposição do progresso” nas palavras dos jornais da época, foi demolida a Estação Novo Hamburgo, depois de noventa anos a serviço da população. A retirada dos trilhos (imagem 10) marca o fima de uma era, cuja retomada, com a chegada do metrô, em 2014, não reviveu o antigo charme das locomotivas.

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